Chile & Bolívia: 8 Dias Cruzando Valparaíso, Atacama e Uyuni

A viagem do Chile e Bolívia nasceu repentinamente. A ideia inicial era tirar dez dias de férias para visitar um amigo na França, aproveitando para conhecer o restante da Riviera Francesa ou iniciar o meu roteiro da Croácia.

Chaxa, Chile

Mas, por uma volta do destino ou pela minha força geminiana de ser, resolvi antecipar três lugares da minha volta ao mundo – Atacama, Uyuni e Patagônia –, agendadas apenas para o próximo ano, e comemorar meu aniversário de 27 anos em terras gélidas.

Laguna Miñiques, Chile

Com um mês de antecedência ao meu embarque, folheei durante uma longa tarde o Lonely Planet. E, em apenas um final de semana, reservei as passagens, hostels, contei os dólares juntados em casa, vendi minha GoPro e comprei uma nova câmera digital, com um tripé.

Atacama, Chile

Havia feito os meus planos. Faltava só cair na estrada.

Atacama, Chile

Você precisa saber agora:

Moeda: Peso boliviano (Bolívia) e peso chileno (Chile)

Golpinhos/dia: para o Chile, a média foi R$ 190,00 com hospedagem (não compartilhada) e alimentação (no mix de restaurantes locais com compras em supermercado). Na Bolívia, esse custo caiu drasticamente. Já os valores com passeios turísticos listarei ao longo do post.

Se perder, vai ter que voltar: Presenciar o amanhecer espelhado do Salar de Uyuni

Sobraram Golpinhos? Hoje eu optaria por conhecer La Paz, só para fazer o passeio da Death Road. Digo hoje porque tive medo – na época – de não saber lidar muito bem com a altitude boliviana. Já outro ponto bacana a ser informado, mas mais no caso do Deserto do Atacama, é aproveitar os passeios turísticos que sejam únicos para vocês.

Te conto um pouco melhor: estive na Islândia no início do ano e um dos passeios mais legais e imperdíveis do país é conhecer a rota do Golden Circle, que possui os maiores e mais antigos gêiseres do mundo. Uma vez visto, não tive a curiosidade de refazer o passeio no Atacama, por exemplo. O mesmo ocorreu com alguns banhos termais.

Salar de Uyuni, Bolívia

Mas, claro, é tudo uma questão de escolha de interesses.

Como foi a minha logística?

Potosí, Bolívia

Voei do Rio de Janeiro para Calama, com um stopover de quatro horas em Santiago. O custo total foi de R$ 729,09, via Latam e Sky Airlines, a famosa low cost chilena.

Atacama, Chile

Quando cheguei em Calama, cidade onde fica localizado o aeroporto mais próximo, bookei junto à empresa Licancabur, o transfer compartilhado com destino à San Pedro de Atacama, cidadezinha de onde saem os passeios para o deserto e afins. Como voltei também via Calama, paguei R$ 116,28 nos dois trechos de viagem (um único trecho custa 20 mil pesos chilenos, ou ao em torno de US$ 30), que durou cerca de 50 minutos cada. Sai mais em conta comprar ida e volta, pois rola um descontinho, ok?

Potosí, Bolívia

Vale ressaltar que a empresa é super de confiança, com custo benefício muito próximo ao comparado a uma viagem de ônibus, pois para chegar até a rodoviária, desde o aeroporto, faz-se necessário utilizar transporte público e/ou táxi. Ou seja, se colocarmos tempo e custo na ponta do lápis, a utilização de transfer compartilhado é sim uma boa ideia.

Deserto de Siloli, Bolívia

Já de San Pedro até a Bolívia, fiz um tour fechado com a agência Cordillera Traveller. Com o custo de US$ 200, foram quatro dias (considerando o retorno à San Pedro, tendo em vista que não continuaria viajando pela Bolívia) desde a fronteira até o sudoeste do país, mais especificamente entre Potosí, Oruro e Uyuni, na borda da Cordilheira dos Andes.

Termas de Chalviri, Bolívia

Após Chile e Bolívia, passei alguns dias na Patagônia, conforme relato disponível aqui. Meu voo de Santiago ao Rio, com escala rápida em São Paulo, custou R$ 489,10, via Avianca. Apesar do incômodo (ok, e muita beleza) de sobrevoar os Andes, ambas as empresas – Latam e Avianca – ofereceram um bom serviço nessa rota.

Potosí, Bolívia

No trajeto Santiago x aeroporto, em meu último dia de viagem, dei a sorte de acenar na rua e conhecer um taxista brasileiro, que deixou seu contato comigo para futuras oportunidades. Acho válido compartilhar com vocês: Emerson Felipe – emerson_felipe@hotmail.cl, +569 6307 0223.

Atacama, Chile

Um ponto bacana a ser mencionado é sobre o seguro viagem. Geralmente os países da América do Sul não obrigam os latinas e/ou sul-americanos a contratarem esse serviço, mas acho super válido. Como viajo muito, uma das bonificações de meu cartão de crédito é o oferecimento gratuito do seguro viagem, sendo mais um bom motivo para seguir estrada tranquila (e sempre desejando nunca precisar utilizá-lo).

Vale da Lua, Chile

Hospedagem

  • Santiago – Airbnb – ao custo de R$ 214,00 o flat. Localizado no centro de Santiago, o lugar é novo e confortável, capaz de abrigar uma família. Confesso que as fotos são muito mais chamativas que o local em si, mas como era noite do meu aniversário e último dia na cidade, optei por mais conforto e tive sim uma estadia tranquila;
  • San Pedro de Atacama – Hostal Corvatsch – ao custo de R$ 124,78/diária para quarto individual. Apenas no último dia consegui trocar pelo compartilhado (e AMEI as meninas que ficaram comigo, diga-se de passagem), com custo caindo pela metade. O local é tranquilo, bem organizado e com staff atencioso;
  • Potosí e Uyuni – guesthouses e o famoso Hotel de Sal – a agência de turismo foi a responsável por reservar todos os locais onde dormimos. Te conto a experiência ao longo desse post.

Atacama, Chile

Atacama, Chile

Atacama, Chile

Dia 1 – Chegada em San Pedro

Cheguei em Calama já no entardecer e devo admitir que é um dos locais com pôr do sol mais lindo do mundo. Ficou bem próximo aos vistos na África!

Vale da Lua, Chile

Meu intuito era já visitar a área de observação astronômica para o famoso passeio chamado “Tour Astronômico do Atacama”. O Deserto do Atacama tem condições climáticas que garantem poucas chuvas e mais de 300 noites de céu aberto por ano. Por ser o mais seco do mundo, é considerado um dos melhores lugares do planeta para observação do céu, devido a suas condições favoráveis, como os mais de 2.400 metros de altitude, baixa umidade local e pouca luminosidade artificial.

Vale da Lua, Chile

Ao custo de $ 25 mil pesos chilenos, ou US$ 35 – via empresa Sol Andino, localizada bem no centro de San Pedro e minha escolhida – a agência te levará ao melhor ponto da região para a observação. Infelizmente durante a minha estadia, o céu não ficou limpo o suficiente, (mesmo em época época de Lua Cheia) e meu dinheiro foi devolvido. Quem sabe na próxima?

Atacama, Chile

Dia 2 – Lagunas Altiplânicas e Vale da Lua

No segundo dia escolhi a empresa de turismo Layana, por questões de custo. Existem trilhões de agências em San Pedro e, pelo que percebi em contato com os viajantes, a grande maioria oferece um serviço de qualidade.

Lagunas, Chile

As Lagoas Altiplânicas são os primeiros cenários do dia. E são, nada mais nada menos, que mágicas!

Laguna Miscanti, Chile

Laguna Miscanti, Chile

Conhecidas como Miscanti e Miñiques, as lagunas estão localizadas a 4.200 metros de altitude. O curioso do Atacama é que diversas empresas realizam um cronograma de passeios com base na aclimatação do viajante. Ou seja, como San Pedro está a 2.400 metros acima do nível do mar, é indicado o início do turismo conforme a altitude das atrações.

Lagunas Altiplânicas, Chile

Como meu lema de vida é “Deus no comando e segue o baile(risos), já comecei pelos mais altos e só rezei! Me senti bem na maioria dos dias (na verdade, só me senti mal na Bolívia, também por conta do frio excessivo do inverno) no Atacama e só lembro de me queixar do nariz e boca constantemente secos pelo clima desértico. Faz parte!

Laguna Miñiques, Chile

A segunda parada do dia foi na área do Salar de Atacama, onde estão localizados os Caminhos dos Incas e as famosas lagoas Tuyaito – repleta de sal – e Chaxa – conhecida pela presença de inúmeros flamingos. Pelas fotos abaixo você já poderá perceber um pouco do encanto da região:

Salar do Atacama, Chile

Salar do Atacama, Chile

Salar do Atacama, Chile

O tour das Lagoas Altiplânicas iniciou-se às 6h da matina, com término por volta das 15h, já bem próximo do horário de saída para o Vale da Lua, o must see do deserto.

Vale da Lua, Chile

Vale da Lua, Chile

Dentro de um vale de origem vulcânica, a 19km de San Pedro, o Vale é composto por dunas de areia, campos de sal e formações rochosas de tom avermelhado. Com tempo e disposição, a dica aqui é alugar uma bike e seguir para lá durante o horário do pôr do sol.

Vale da Lua, Chile

Caverna de Sal, um espetáculo dentro do Vale da Lua

Eu finalizei o dia na Pedra do Coyote, um mirador bem próximo ao Vale da Lua com uma das vistas mais impactantes que já vi em toda a minha vida. Sério… é surrel na beleza!

Pedra do Coyote, Atacama

Meu custo com os passeios (sem pick up, mas com entradas inclusas), para todo o dia, foi de $ 39,5 mil pesos chilenos, ou algo em torno de US$ 57 dólares.

Como o Atacama é o deserto mais árido e seco do mundo – conforme mencionado lá encima – ao final do dia você perceberá nos hotéis/hostels da região uma plaquinha informando sobre a necessidade de economia de água para o equilíbrio da região. Trata-se de uma conscientização importante e que deve ser seguida pelos turistas, em prol do bem do meio ambiente.

Atacama, Chile

Dia 3 – A caminho da Bolívia

Esse dia foi muito louco!

Potosí, Bolívia

Saímos de San Pedro às 8h da manhã em uma minivan à caminho da fronteira com a Bolívia.

Para os curiosos, essa foi a minha “mala”

No sobe e desce das montanhas, o corpo já começa a sentir o desconforto causado pela dificuldade em se adaptar à menor pressão de oxigênio em altitudes elevadas. Nessa hora, dois australianos já mascavam balinhas de coca ao meu lado.

A saída do Chile foi tranquila. Bastou devolver o papel da imigração que recebi no aeroporto de Santiago e adiós. Cinco minutos depois, chegamos na entrada da Bolívia.

Imigração boliviana

Antes de trocar o veículo por um 4×4 e conhecer a galera que passará os próximos dias juntinhos, passa-se um FRIO absurdo na cabine de imigração. A fila é gigantesca (e eu fui durante a baixa estação, meus querid@s) e o serviço um tanto lento. Preparem-se.

Meu grupo foi formado por um casal de franceses, que viajavam o mundo em lua de mel, um alemão nos seus 20 e poucos anos, outro israelense nos seus quase trinta anos e mais nosso gentil guia boliviano. Claro que o caminho foi composto por um rodízio de música latina, americana, francesa e israelita.

Minha galera já na Bolívia

O primeiro dia é dedicado à visitas na Laguna Verde e Branca, aos pés do famoso vulcão Licancabur e localizadas dentro da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa. Percorremos a província de Sur Lípez, dentro do extremo sudoeste boliviano.

Laguna Verde, Bolívia

Laguna Branca congelada, Bolívia

A Reserva Nacional da Fauna Andina Eduardo Abaroa está localizada na província de Sur Lípez e é a área protegida mais visitada do país. O valor da entrada é de $ 150 pesos bolivianos, algo em torno de US$ 22.

A minha agência não falou nada sobre a necessidade do câmbio prévio para a moeda boliviana, mas aconselho a trocar desde San Pedro cerca de US$ 35-40 dólares para gastos não inclusos nos quatro dias (entrada nos atrativos, alimentação fora de café da manhã/almoço/janta e/ou compras diversas).

Lagunas a caminho de Uyuni, Bolívia

Lagunas a caminho de Uyuni, Bolívia

Pouco antes do almoço chegamos nas Termas de Chalviri, onde ficam as águas termais – até cerca de 35 ºC – ao pé da montanha Polques. E, logo após, estávamos no ponto mais alto da viagem, a 5.000 metros de altitude, nas fumaças de enxofre do Geiser Sol de Mañana. Quem não havia sentido o mal da montanha até agora, não passou ileso desse ponto.

Termas de Chalviri, Bolívia

Geiser Sol de Mañana, Bolívia

Geiser Sol de Mañana, Bolívia

Passamos também pelo deserto chamado de Dalí, em homenagem ao pintor Salvador Dalí. Trata-se de um vale extremamente árido, com cores e formas que colaboram para que a gente se sinta como parte de uma de suas obras. Aqui conseguimos ver aquelas famosas “montanhas coloridas”. É bem bacana.

Deserto de Dali, Bolívia

Montanhas coloridas no caminho, Bolívia

Após um longo dia, chegamos na primeira hospedagem, chamada de Urutumcu. Local humilde, frio (não há calefação nesse nem na maioria dos outros locais, então a dica é pedir um saco de dormir para sua agência antes de embarcar na trip do Salar, ok?) e composto por seis quartos com seis camas em cada um deles. O banheiro, claramente, é coletivo. No primeiro dia ninguém toma banho.

Apesar de rústica, a hospedagem fica às margens da Laguna Colorada, que possui um tom avermelhado incrível, diferente de tudo já visto. E para aumentar ainda mais a beleza, estava com flamingos na região (mas não aparecem nas fotos abaixo, infelizmente… Estava muito frio no dia, e eu sai do carro rapidamente para dar esses clicks e voltei para me reaquecer, sorry not sorry).

Laguna Colorada, Bolívia

Laguna Colorada, Bolívia

Quando retornamos para o jantar e para nos reabastecer de água – um dos melhores remédios para a falta de oxigênio causada pela altitude –, meu grupo aproveitou o início da noite para jogar um pouco de cartas e se conhecer melhor. Esse foi também o momento para o pessoal de outros 4×4 trocarem figurinhas de viagem e degustarmos todos juntos a boa comida boliviana.

Lagunas a caminho de Uyuni, Bolívia

Não foi uma noite fácil de sono. Nem nunca foi em locais muito acima do nível do mar para mim. Mas no fundo eu sabia que valeria à pena…. Sempre vale.

Dia 4 – Deserto de Siloli e Hotel de Sal

Começamos o dia bem cedinho e, por conta do frio e da altitude, todos já estavam levantados. O café da manhã foi composto por muitos líquidos e frutas.

Nossa primeira parada foi no deserto de Siloli, localizado no distrito de Potosí. É caracterizado por formações rochosas resultantes dos fortes ventos da região, além de ser mais um dos mais áridos do mundo.

Deserto de Siloli, Bolívia

Como a região é cercada de lagoas, o dia de hoje também foi dedicado à visitas das Lagunas Honda, Chiarkota e Cañapa, onde a maioria encontrava-se congelada. Às vezes fazia tanto frio que, com o forte vento, ficava difícil sair do carro para apreciar a vista mais de perto.

Lhamas a caminho de Uyuni, Bolívia

O dia foi cansativo, porém o terminamos às margens do maior deserto de sal do mundo. Nessa noite, ficamos hospedados em um Hotel de Sal e eu dei a sorte de conseguir um quarto privativo com banho quentinho (YEAH!). Para conferir o vídeo que fiz desse hotel, clique aqui e o veja nos stories intitulados por “travel w/ me”.

Após nossa rodada de cartas noturna e um bom papo sobre viagens de volta ao mundo com um grupo de australianos, eu dormi o sono dos justos.

Dia 5 – O amanhecer no Salar de Uyuni

Acordamos com estrelas ainda no céu. E o café da manhã foi suspenso até que a atração principal da trip ocorresse.

O amanhecer do Salar de Uyuni, Bolívia

O Salar de Uyuni é o maior e mais alto deserto de sal de todo o mundo, a cerca de 3.600 metros acima do nível do mar. Na borda da Cordilheira dos Andes, aqui é o único ponto natural brilhando que pode ser visto do espaço. Incrível, né?

O que eu não fazia ideia, até esse momento, era de como o dia seria dividido. Amanhecemos sobre uma imensidão espelhada de sal alagada, mas aqui ainda não é possível fazer ilusões de ótica como as famosas fotos que circulam nas redes sociais. Todavia, é o melhor ponto para conferir o sol nascer, sem dúvidas.

O amanhecer do Salar de Uyuni, Bolívia

Logo depois, paramos na Ilha do Pescado, uma das trinte e três “ilhas” localizadas dentro do salar.

Café da manhã na Ilha

É muito louco imaginar que um pedaço de terra, repleto de cactos, se forma por aqui. E já te aviso… Prepare-se para dar à volta na ilha, pois fazer qualquer movimento sob uma altitude de mais de 3.000 metros é punk! Mas com calma e muita água, chega-se lá!

Ilha do Pescado, Bolívia

Ilha do Pescado, Bolívia

Quando o sol finalmente vingou no céu, caminhamos em direção ao mundo de sal.

O salar foi formado como resultado de transformações entre diversos lagos pré-históricos. Ele é coberto por alguns metros de uma crosta de sal, que tem um nivelamento extraordinário com as variações de altitude média de menos de um metro ao longo de toda a sua área. A crosta serve como uma fonte de sal de cobre e de uma piscina de salmoura, que é extremamente rica em lítio (gracias, wikipedia).

Salar de Uyuni, Bolívia

Agora sim, nos preparamos para as fotos “curiosas”:

Salar de Uyuni, Bolívia

Salar de Uyuni, Bolívia

Caminhando um pouco mais, visitamos Colchani, onde fica o Museu de Sal e onde estão as diversas bandeiras dos viajantes de todo o mundo.

Museu de Sal, Bolívia

Bandeira da Drapeau de la Corse, França

Depois foi a vez de conhecer o cemitério de trens, um ferro velho à céu aberto repleto de restos ferroviários abandonadas e totalmente enferrujadas pelo tempo, que datam do início do século XX, importados diretamente da Grã-Bretanha. O lugar é perfeito para quem curte fotografia.

Cemitério de trens, Bolívia

Cemitério de trens, Bolívia

Para quem fica na Bolívia, o tour se encerra em Uyuni, logo após um almoço em um pequeno vilarejo da região.

Uyuni, Bolívia

Como eu optei por retornar ao Chile – antes de seguir viagem à Patagônia – mudei de guia e seguimos viagem à Villa Mar, uma cidadezinha já à caminho de volta. Quando chegue no dormitório, havia um pequeno grupo de brasileiros que jantaram comigo, tornando agora a minha viagem com um pouco de sabor de casa.

Cemitério de trens, Bolívia

Uyuni, Bolívia

Quando penso nesse dia, lembro muito da noite simples e privilegiada que tive. O céu estrelado boliviano (claro, do interior) é algo indescritível. Sou grata por ter vivido esse momento.

Dia 6 – De volta à San Pedro

O último dia em território boliviano foi dedicado basicamente a dirigir por longas horas e se apresentar em Imigrações.

Laguna Verde, Bolívia

Durante minha saída da Bolívia, tive que pagar para o meu passaporte ser carimbado. Isso é errado, pois brasileiros não são obrigados a terem vistos nem nenhuma outra taxa mas, veja vem… Mulher sozinha, na fronteira de um país cuja língua não domina.

Preferi pagar o valor arbitrário (que não lembro bem o quanto, mas era simbólico) e continuar minha viagem sem nenhum stress junto as autoridades locais. Às vezes a gente tem que entrar na dança…

Cheguei em San Pedro no início da tarde e optei por descansar e arrumar as malas. Foi nesse dia que conheci um grupo de meninas brasileiras que viajavam por quinze dias, com destino final no Peru. Pude compartilhar um pouco da minha experiência com eles em cada um desses países e pegar algumas dicas.

Essas trocas que as viagens nos possibilitam são ótimas!

Rumo ao próximo destino

Ao final do dia, transfer para Calama e…. Santiago!

Dia 7 – Valparaíso e Vinã del Mar

No dia 11 de junho, uma segunda-feira e data do meu aniversário, cheguei de fato em Santiago para turistar.

Valparaíso, Chile

Minha escolha perfeita para o dia era o passeio de Cajón del Maipo com Embalse el Yeso, já que às segundas-feiras os museus costumam estar fechados (o que impossibilitaria um dia bacana dentro da capital) e as estações de esqui nesse ano só abririam em julho.

Playa Los Cañones, Chile

Playa Los Cañones, Chile

Eis que acordei com um tempo horrível e a mensagem da empresa Turistik informando que só teria poucas opções para mudar meu day tour. Com a falta de sol, pude escolher entre me embebedar nas vinícolas locais ou conhecer a boêmia Valparaíso. Adivinha qual que escolhi?

Valparaíso, Chile

Ao custo de $ 36 mil pesos chilenos, ou algo em torno de US$ 52, o passeio foi bem tranquilo, quase todo feito dentro daqueles ônibus panorâmicos. Éramos poucos e logo um grupo de jovens argentinos fizeram amizade comigo.

Um deles me causou arrependimento por não ter pego o contato, pois era um cara bacana de papo e cheio de histórias de viagem interessantes a serem compartilhadas. Uma pena mesmo, mas acontece nas melhores trips.

Valparaíso, Chile

A primeira parada foi no Museu Rapa Nui e, confesso, foi o mais próximo que já cheguei da Ilha de Páscoa em toda a minha vida (risos). Todavia, o lugar não tem nada demais.

Museu Rapa Nui, Chile

A segunda parada foi em Viña del Mar, conhecida como a “Cidade Jardim” do Chile.

O famoso relógio de Viña del Mar (que achei bem brega, mas ok)

Bem estruturada, com hotéis de frente ao mar e bons restaurantes ao redor, esse lugar me lembrou Punta del Este, no Uruguai…. Too fancy for me (risos).

Viña del Mar, Chile

Viña del Mar, Chile

Viña del Mar, Chile

Já ao lado temos Valparaíso, que fica localizada a cerca de 120 km de distância de Santiago e atualmente é a sede do poder legislativo do país. Em 2003, sua área histórica – que lembra muito a região de Santa Teresa aqui do Rio de Janeiro – foi declarada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Pelas ruas de Valparaíso, Chile

Pelas ruas de Valparaíso, Chile

Pelas ruas de Valparaíso, Chile

É um daqueles passeios que merecem caminhadas entre as ruelas para admirar a arte distribuída de forma mágica pelas casas, muros, postes, etc. Passamos também por uma das casas de Pablo Neruda.

Pelas ruas de Valparaíso, Chile

Se eu tivesse mais tempo, com certeza me hospedaria em Valparaíso.

Pelas ruas de Valparaíso, Chile

Pelas ruas de Valparaíso, Chile

Dia 8 – De volta ao Rio de Janeiro

Meu voo de volta foi um tanto conturbado, num mix de cansaço físico, nostalgia de mais um fim de viagem e muita turbulência sobrevoando a Cordilheira dos Andes. Algo dentro de mim não queria, mais uma vez, voltar para a rotina da selva de pedra carioca.

Atacama, Chile

Mas cada viagem lava a minha alma de uma forma diferente. E tem sido assim há doze anos, desde quando fiz minha primeira trip sozinha mundo afora. São ciclos que fecho para que novos possam nascer. Mais leves, de coração mais aberto.

Não esperava que o Chile me proporcionasse tanta risada. Conheci gente de tal maneira que ouso dizer que foi a vez em que menos me senti reclusa; mal tive tempo de me perder sozinha entre os lugares. Foi bacana, foi suave.

Laguna Miñiques, Chile

Já a Bolívia veio como um tapa na cara. Pobreza, realidade dura e crua de um povo que continua a caminhar, apesar dos pesares. Muitos deles com um baita sorriso no rosto. Durante um cruzamento entre dois vilarejos, um senhor entre seus 40 e poucos anos me perguntou: “Menina, como é voar de avião? Eles dão alguma coisa pra comer?”. A ficha cai na hora. É foda.

Achados incríveis de Valparaíso, Chile – Trechos do Bhagavad Gita

Mas esse é um dos pontos mais bacanas da experiência de viajar, na minha opinião. É poder parar em uma pracinha local e quebrar a cabeça para manter uma conversa com os nativos usando um inglês misturado com dialeto, e tentar entender o que se passa. E aprender, aprender, aprender. Sair do nosso mundinho, sabe? É perceber que somos todos iguais, que somos todos tão humanos em nossos anseios e fragilidades.

Playa Los Cañones, Chile

Voltar para casa, pra mesinha onde escrevo cada roteiro, onde edito cada foto, é uma luta constante entre o dever e o querer. Vive em mim uma alma cigana que de tempos em tempos precisa fechar a mala e partir. Talvez seja os vinte e poucos anos, ou talvez nunca mude.

Vale da Lua, Chile

Checklist

Seguro obrigatório para brasileiros: Não, porém é recomendado.

Vacina obrigatória para brasileiros: Não há obrigatoriedade de comprovação vacinal ou profilaxia para entrada.

Documentação para brasileiros: Como o Chile é um país associado ao Mercado Comum do Sul, brasileiros podem apresentar apenas a cédula de identidade (RG) nas viagens realizadas dentro do bloco. Não é preciso levar passaporte nem pedir visto de entrada.

Importância Global: Além do Atacama ser o deserto mais seco do globo, onde hoje encontram-se vales, lagos de sal que, devido a alta salinidade da água, ao mergulhar, os turistas não afundam, cachoeiras de águas termais e Gêiseres, ele já foi mar. Já o Salar de Uyuni é o maior e mais alto deserto de sal do mundo e também uma das maiores reservas de lítio.

 

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