Islândia: A Imperdível Meia Volta À Ilha

Se a Islândia não te fascinou até hoje, meu amigo, precisamos conversar!

Jökulsárlón, Islândia

É o seguinte: há um tempo possuo uma agenda onde classifico os lugares que ainda quero conhecer, em ranking. Por exemplo, os Fiordes Neozelandeses e as Ilhas de Palawan estão no “Top 10 destinos a serem conhecidos antes dos 30”. E, para a Islândia, a coisa não foi diferente.

Eyjafjallajökull

Eu tinha 10 dias de folga, o skyscanner ativado e um bilhete de ida para Dublin, Irlanda. Daí nasceram três opções: passar cinco dias viajando de carro pela Grã-Bretanha, cruzar a Lituânia ou fazer o sul da ilha da Islândia. A escolha não poderia ser mais certeira para o momento!

Reykjavík, Islândia

Dias depois recebi uma ligação do meu irmão – diretamente de Portugal – dizendo que embarcaria comigo nessa aventura. Um pouco antes de embarcarmos para terras escandinavas, ficamos hospedados na casa de minha irmã em Dublin (fato que obviamente me fez pagar uma passagem de ida e volta muito mais em conta do que se saísse do Brasil, por exemplo).

Nordurljosavegur, Islândia

Você precisa saber agora:

Moeda: Coroa Islandesa (100 ISK é mais ou menos 1 dólar US$)

Golpinhos/dia: EUR 120,00 (considerando alimentação + tour)

Se perder, vai ter que voltar: Skógafoss Waterfall

Sobraram Golpinhos? Faça a volta à Ilha (de 6 a 10 dias de carro)

A Islândia é conhecida mundialmente por diversas coisas: o verão sem noite, os imperdíveis cenários de natureza, pelo preço exorbitante de tudo – não se engane, é caro até para os moradores! -, pela aurora boreal e por aí vai. Mesmo assim eu nunca conheci uma pessoa nesse mundo que me falasse que não tem a mínima curiosidade de visitar a ilha um dia na vida.

O famoso cavalo islandês

Não tínhamos muito tempo e, como era inverno, optamos por não alugar carro (as estradas estão, muitas vezes, cobertas por neve. Se você não está acostumado com a direção nessas condições, eu não indico essa escolha, pois a cada dia víamos diversos acidentes pelo caminho). Então a opção mais sensata foi contratar uma agência de turismo. A escolhida foi a GrayLine Iceland e ficamos muito satisfeitos com o serviço. Existe também a Reykjavík Excursions, de referência na região quando o assunto é turismo. E ah! Preços aqui serão listado sempre por pessoa, ok?

Sudurland

Apesar de ser o 5º país mais caro do mundo, os lugares estonteantes vão fazer cada centavo valer à pena. Eu, por exemplo, acredito que tudo na vida trata-se de uma questão de prioridades. Para algumas pessoas, é fundamental ter o celular da moda, já para outras, ter um bom carro na garagem. Vendo por esse lado, viajar é a prioridade da minha vida. A Elizabeth Gilbert, autora do célebre livro “Comer, Rezar e Amar”, tem uma frase na qual me identifico muito:

“Traveling is the great true love of my life… I am loyal and constant in my love of travel. I feel about travel the way a happy new mother feels about her impossible, colicky, restless newborn baby – I just don’t care what it puts me through. Because I adore it. Because it’s mine. Because it looks exactly like me.”

O mágico pôr-do-sol em Jökulsárlón

Mas vamos ao que importa: preços, dicas de booking e melhores atrações.

Seljalandsfoss Waterfall

Quando ir:

A Islândia tem as estações do ano bem definidas. De maio até meados de setembro é a melhor época para os viajantes que decidem alugar um carro e percorrer a ilha.  Porém, nesse período não será possível caçar à aurora boreal ou visitar as famosas cavernas de gelo. Já no inverno, o país adquire outra cara: estradas cobertas de neve, cachoeiras quase congeladas, trenós puxados por huskies e a doida instabilidade climática.

Eu fui em fevereiro e não me arrependo em nada, pois tive a oportunidade de conhecer cenários únicos e, para ser sincera, passei um frio bem aceitável (temperaturas entre 0 a -2C).

As estradas da ilha

Passagem:

Conforme mencionei lá encima, voamos de Dublin em direção à Keflavík, que fica a 50km de distância da capital islandesa. A melhor low cost que conseguimos foi a Wow Air que, com inclusão de uma mala de 20kg, custou EUR 266/pp., algo em torno de R$ 1.065,00.

Na saída do aeroporto você poderá fazer câmbio para a coroa islandesa e contratar facilmente o ônibus que vai para Reykjavík. Existe a opção de drop off no seu hotel ou drop off diretamente no centro da cidade. Os custos são similares, cerca de EUR 23.

Ao sul da ilha islandesa

Hospedagem:

Ficamos em Reykjavík, na capital. Como os hostels já estavam quase todos cheios, escolhemos a plataforma Airbnb e foi certeiro: tínhamos uma cozinha a nossa disposição – sim, queridos viajantes, levamos uma mala só de comidas -, uma casa quentinha e silenciosa, sem falar que a dona da casa, uma colombiana super bacana, foi bastante atenciosa conosco. O custo para cinco dias foi de R$ 1.002,82 já com todas as taxas incluídas.

Nossa aconchegante casinha temporária

O kit sobrevivência da semana

Alimentação:

Aqui que o bicho pega! Comer na Islândia é caro e abaixo te mostro o preço médio de alguns alimentos:

O bom e velho macarrão instantâneo

Sanduba frio de mercado – ISK 500, R$ 16,00

Coca-Cola 600ml – ISK 300, R$ 10,00

Cerveja – ISK 1000, R$ 32,00

Prato de almoço em restaurante local – ISK 1200, R$ 39,00

Hot dog de rua – ISK 500, R$ 16,00

Café pequeno – ISK 300, R$ 9,00

A Islândia foi o primeiro país que vi nativos de regiões economicamente ricas reclamando dos altos custos. Ou seja, tinham alemães, britânicos e americanos que optavam, muitas vezes, em levar um lanche do café da manhã do hotel para comer durante o passeio ou economizar escolhendo lugares mais em conta para o almoço, por exemplo.

Donation Box, distribuídos em inúmeros pontos turísticos do país

No tour fazíamos diversas paradas de ônibus onde tinham mercados locais. Comprar baguetes é uma ótima opção, pois são gostosas e matam a fome, sendo então um bom lanche da tarde. Pelo menos, foi o que fizemos diversas vezes para manter o custo-benefício da trip. Já com a água, não se preocupe! Apesar do cheiro ser de enxofre, a água da Islândia é considera uma das mais puras do mundo.

Diamond Beach e seu incrível pôr-do-sol

Agora, vamos ao roteiro diário.

Dia 1 – Reykjavík + The Northern Lights

Chegamos no centro da capital islandesa no início da tarde. Deixamos nossas coisas no quarto e fomos direto para a famosa Hallgrímskirkja, a Igreja luterana com quase 75 metros de altura. Como parávamos toda hora pelo caminho (ou porque o GPS nos mandava para a rua errada ou porque simplesmente fazíamos vídeos e selfies pelas ruas como crianças que curtem o primeiro Natal na neve), quando chegamos na entrada da Igreja, a mesma já se encontrara fechada. Shit happens!

Hallgrímskirkja

Nos perdermos de propósito mais um pouco até voltarmos em direção ao ponto de encontro do tour mais esperado da viagem: a caça às auroras boreais.

Centro de Reykjavík

Chamem-nos de sortudos, seres iluminados, cagões pra caceta, mas de fato em nossa primeira noite em terras islandesas, nós conseguimos ver as famosas NORTHERN LIGHTS! Preciso dizer que quase desmaiei de emoção, babies?

Aurora boreal vista na Islândia • Crédito da foto ao NLIceland 

O tour é o seguinte: do final de agosto até o início de abril, o “Northern Lights Mystery Tour”, como é conhecido, pode ser facilmente reservado pelo custo médio de EUR 40. Todo dia por volta das 16h, a empresa que você contratou irá enviar uma notificação informando se a previsão do tempo é favorável ou não para à caça.
Existem milhões de pessoas que passam dias na ilha e saem de lá sem conseguir ver a aurora, pois trata-se de um fenômeno muito imprevisível e que depende de diversos fatores naturais (céu limpo de nuvens e poluição, o impacto das partículas de vento solar quando em contato com a atmosfera terrestre, etc.). Claro que existem medidores mas, na real, não são cem por cento. Enfim, é quase que um milagre!

Dica: Eu utilizei esse site aqui para checar o forecast.
Claro que quanto mais próximo do Polo você está há mais chances de ver as luzes no céu. Por isso muitos viajantes optam pelo norte da Noruega e pela Finlândia. Todavia, para nós a aurora seria apenas a cerejinha do bolo da trip. Pois bem, chegamos em Kálfatjarnarkirja às 21h30 e cerca de uma hora depois começamos a vislumbrar os primeiros traços esverdeados no céu.

Fomos tão, mas tão abençoados nessa noite que, de quebra, conseguimos ver por minutos a “dança dos raios verdinhos” no céu. Era Valentine’s Day e esse foi, definitivamente, o melhor presente que eu poderia receber do Universo!

Aurora boreal vista na Islândia • Crédito da foto ao NLIceland 

Aurora boreal vista na Islândia • Crédito da foto ao NLIceland 

Observação: As fotos requerem uma câmera específica. Infelizmente, seu celular e nada são a mesma coisa!

Dia 2 – Blue Lagoon + Golden Circle

Iniciamos o dia rumo ao Blue Lagoon. O ônibus de ida e volta mais ticket de acesso à piscina termal custou EUR 91 (acesso standard). Você precisa realizar o booking com semanas de antecedência, pois este trata-se do spa termal mais famoso do país.

Blue Lagoon, Islândia

A temperatura da água beira os 40ºC e são ao todo 5 mil metros quadrados de área concentrando algas e sais minerais utilizados, muitas vezes, em tratamentos de pele e no combate ao envelhecimento. A sensação é maravilhosa! E o melhor: depois que entra, você pode passar quanto tempo quiser lá dentro.

Blue Lagoon, Islândia

Você deverá tomar um banho antes de entrar na água. Na recepção, poderá alugar toalhas, saídas de banho e chinelos, caso não leve os seus. Mas claro, tudo pago!
À tarde foi a vez de conhecer o Golden Circle, o circuito turístico mais famoso do país! Essa é uma região térmica com diversos gêiseres, entre eles Geysir e Strokkur. Esse último – para a nossa sorte -, entra em erupção de dez em dez minutos.

Gêiser visitado

Considerados fenômenos raros da natureza, os gêiseres são nascentes termais que entram em erupção periodicamente, lançando uma coluna de água quente e vapor de ar. O tour custou EUR 53 e durou uma tarde inteira.
Ah! Visitamos também o marco das placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia, que cortam a Islândia ao meio e se afastam a cada ano.

Þingvellir, onde a Europa e a América se encontram

Dica: Sobrou tempo em Reykjavík? Vá à uma piscina pública! A entrada para turistas custa ISK 1000 (o que seriam R$ 32,00), ou seja, o preço de um souvenir nas lojinhas de Posto. Como o Blue Lagoon é uma atração super procurada pela galera de fora, a experiência em uma piscina pública torna-se algo único, tanto para conhecer o povo local, quanto para experimentar as águas quentinhas pagando bem menos. Vale informar que aqui é tudo em islandês, mas calma, todos falam inglês na região.

Laugardalslaug, Reykjavík

Dia 3 – South Iceland, Waterfalls and Black Sand Beach

Esse dia foi mágico! Pegamos uma manhã linda de sol – na verdade, demos muita sorte com o tempo na Islândia – e com poucas nuvens no céu. O passeio durou o dia inteiro (cerca de 12h) e custou EUR 78.

Seguimos viagem em direção à costa sul da ilha e os cenários foram ficando cada vez mais bonitos de se admirar. Listo abaixo – com imagens, claro! – as paisagens do dia:

Skógafoss Waterfall

Uma das maiores quedas de água do país, situada a cerca de 5km de Skógar.

Gullfoss

Conhecida como Catarata Dourada – ok, no verão esse nome faz mais sentido – Gullfoss fica na região Sudurland, cerca de 100km de distância da capital.

Gullfoss

Com uma altura de de 32 m e uma largura de 70 m, Gullfoss é responsável por transportar a água do rio Hvítá.

Seljalandsfoss Waterfall à noite

Tive o prazer de visitá-la durante o dia e à noite. No verão existe uma passagem por detrás da queda d’água, onde pode-se caminhar por ela. Incrível, não é?

Solheimajokull Glacier Exploration

A atividade acompanhada de uma agência custa em torno de EUR 60 se você já estiver na região sul da ilha. Eu fiz apenas uma parte do caminho, pois optei por não pagar o passeio.

Hike Adventure

Àqueles que tão com grana e tempo de sobra, eu indico muito a caminhada. Se você também der a sorte de pegar um dia ensolarado, os cenários a sua frente serão majestosos!

Black Sand Beach

A famosa praia de areia (ou pedrinhas, mais apropriado) negra, localizada em Vík, uma pequena e charmosa cidade no sul da Islândia.

As pedrinhas da praia

Foi aqui que quase perdi meu drone para o vento! Atenção: Quase todos os lugares islandeses proíbem o uso de drones, seja profissional, seja amador.

A exótica Black Sand Beach

Dica – Existe uma parada turística no caminho ao sul, conhecida por “Dakota Wreck”. Trata-se de um avião caído na praia e o blog Viagens Possíveis te conta tudo sobre nesse link.

Dia 4 – South Coast and Glacier Lagoon

Ainda em direção ao sul, a cerca de 6h de distância da capital, a atração principal do passeio é a Geleira de Jökulsárlón. Já adianto que adorei o lugar.

This way!

O tour custa EUR 115 e é para quem tem disposição, pois leva grande parte do dia dentro do ônibus.

Jökulsárlón

Ponte de Jökulsárlón

Ao lado oposto da geleira – caminhando em direção à ponte – está a charmosa Diamond Beach, composta por areia negra e diversos icebergs.

Diamond Beach

Diamond Beach e seus icebergs

O que muitos não sabem é que na Islândia as catástrofes e os acidentes são inúmeros. Só nos cinco dias em que estive na ilha, soube de histórias que envolviam turistas que se arriscaram a tirar fotos diferentes perto do mar ártico e foram levados por ondas, outros que perderam equipamentos fotográficos, acidentes de carro por conta de nevascas, etc. Então, todo cuidado é pouco! E, quando se há uma faixa demarcando o limite – PELO AMOR -, respeitem!

Fim de tarde em Jökulsárlón

Dica: Como mencionei lá no topo, na Islândia uma mera cerveja pode custar cerca de US$ 10,00. Para quem quer curtir uma night – e eu super aconselho! – indico instalar o app queridinho “Reykjavík Appy Hour”, que te mostrará, de forma econômica, as boas da noite. Outra opção também bacana é conferir a agenda da Harpa.

Viking Beer, a deliciosa cerveja islandesa

Curiosidade – Como a população da ilha é minúscula (cerca de 335 mil habitantes distribuídos em 3 por quilômetro quadrado. Já no Brasil, são 24), os islandeses criaram um app para evitar encontros com parentes e, consequentemente, o incesto não intencional.

Dia 5 – Back to reality!

No quinto e último dia nos despedimos do país da forma mais tradicional de um mochileiro: juntamos todas as moedinhas que sabíamos que não conseguiríamos mais fazer o câmbio para euros e nos enchemos de chocolate do free shop. Provamos quase todos os doces islandeses possíveis e imagináveis e atesto:  90% deles são uma bosta! (Salvo os caramelizados).

Último dia em Grindavík

Aproveitamos também para comer o famoso hot dog da região. Leia mais sobre ele aqui!

Checklist

Seguro obrigatório para brasileiros: É indispensável que os viajantes à Islândia estejam cobertos por seguro saúde.

Vacina obrigatória para brasileiros? Nenhuma vacina é obrigatória para ingressar no país.

Imigração: Não tive problema algum. Na verdade, foram até bem simpáticos.

Documentação para brasileiros: Se sua viagem para a Islândia durará menos de 90 dias, não há necessidade de visto para brasileiros. Todos os visitantes à Islândia precisam ter um passaporte válido por pelo menos três meses após a data de retorno marcada.

Importância Global: Poderia escrever por dias sobre a importância da Islândia. Resumindo, por estar às margens do Círculo Polar Ártico, o país possui o famoso sol da meia-noite durante todo o mês de junho. Outro ponto bacana é que a Islândia é um país de músicos (vide Björk) e com uma das noites mais famosas do mundo. Aqui não se paga pedágio nas estradas (exceto em alguns poucos túneis), além da maravilha que é a maioria das atrações estar em plena natureza, o que quer dizer, em bom português: ingresso gratuito!

Dica: A carteira de habilitação brasileira (CNH) é reconhecida na Islândia, se levada tradução juramentada para o inglês em conjunto.

 

♥ Gostou? Então curte minhas fotos dessa viagem no Instagram! Quer mais dicas e ajuda com a sua viagem? Peça já o seu roteiro totalmente personalizado!

(Visited 2.141 times, 1 visits today)