Namíbia: Sossuslev & Etosha Park

Localizada na porção sul do continente africano, a Namíbia é banhada pelo oceano Atlântico e limita-se com a Angola, Zâmbia, Botswana e África do Sul. Foi desde esse último que cheguei a Windhoek, na capital, e passei ao todo sete dias viajando pelo país.

B1 Highway, Namíbia

Dois pontos sempre despertaram a minha atenção quando o assunto era África: desertos e modos de vida. A cultura, as danças, o jeito africano de viver e se reinventar, apesar da massiva pobreza de algumas regiões, foram características que tornaram a absorção da viagem algo único para mim. Claro que – já que estava na África – aproveitei para conhecer o famoso safári.

Etosha Park

Em 1990, a Namíbia se tornou independente da África do Sul, entretanto, a política de segregação racial sul-africana, denominada apartheid, que vigorou entre os anos de 1948 a 1994, intensificou as desigualdades sociais na Namíbia, onde a minoria da população branca detém a maioria das riquezas nacionais. O analfabetismo atinge 12% dos habitantes (no Brasil, como comparação, a taxa ainda é de 7,2%).

O turismo vem crescendo a cada ano e muitos viajantes aproveitam a fácil rota África do Sul-Namíbia para estender a trip. Eu mesma fiz esse percurso e conto abaixo um pouco do que vi pelo caminho.

Deserto de DeadVlei

Você precisa saber agora:

Moeda: NAD, o dólar namibiano

Golpinhos/dia: R$ 119,00 (hospedagem compartilhada, alimentação e transporte em Windhoek, capital)

Se perder, vai ter que voltar: Conhecer o deserto da Namíbia, Sossusvlei e Sesriem

Sobraram Golpinhos? Se hospede no Etosha Park e confira o safári por cerca de dois a três dias

Etosha Park

Como cheguei:

Conforme mencionei no início do post, meu acesso à Windhoek foi desde a África do Sul, ou seja, dois dias de viagem em ônibus. O custo da passagem foi R$ 266,70, pela empresa sul-africana Intercape e, o trajeto, Cape Town x Upington x Windhoek.

A caminho da Namíbia

Já a volta, voei desde a capital namibiana até Adis Abeba, na Etiópia. Todavia, o destino final era o Cairo, Egito. O custo dessa passagem foi uma pequena fortuna, R$ 1.452,50, via Ethiopian Airlines.

A locomoção dentro da Namíbia foi feita exclusivamente de carro, por conta dos passeios contratados.

Ou seja, eu e a Lidia – minha companheira dessa viagem pela África – contratamos ainda no Brasil seis dias com agência, metade para o deserto e a outra metade para o safári. Já da rodoviária para a acomodação, pegamos um táxi pelo custo de NAD 50, algo em torno de R$ 14,00.

Lidia e eu no Etosha Park

Não sou fã de passeios via agência de turismo, mas (acreditem) pela Namíbia se você não aluga carro, a coisa fica complicada!

Solitaire, Namíbia

Dica: Façam câmbio já na fronteira. Achei uma casa de câmbio no centro de Windhoek depois de pesquisar muito e foi um stress só de locomoção e confusão desnecessários na viagem.

Hospedagem:

• Windhoek – Kate’s Nest Guesthouse, R$152,00 o quarto para duas pessoas. Eu amei esse lugar! A recepcionista foi simplesmente um amor, uma querida. Na segunda vez que me hospedei aqui – após três dias de camping pelo deserto – ganhamos um upgrade de quarto fantástico. A casa é toda novinha e longe de qualquer barulho da cidade.

Kate’s Nest Guesthouse

Como fica afastado do centro comercial, tivemos ajuda para solicitar comida em restaurantes locais.

E ah! Na Namíbia não há McDonald’s – claro, existe um similar local -, então se prepare para comidinhas trash não tão baratas para mochileiros.

• Windhoek – Urban Camp, R$124,00 o camping para duas pessoas. Outro lugar que adorei de verdade! Boa energia, acomodação e banheiros limpinhos. Esse já fica mais próximo de tudo, mas é aquilo, carro em Windhoek é um mal necessário.

Indico a hospedagem em ambos os lugares.

Deserto da Namíbia

Deserto da Namíbia: Como foi a minha experiência

Depois de pesquisar muito, muito e ainda um pouco mais, fechei os tours com a empresa Blue Crane Safaris por dois motivos: preço e disponibilidade de dias. Vale ressaltar que na maioria dos passeios há dias de saídas pré agendados, principalmente quando o modal é camping, mais barato e mais procurado.

Vida no camping, rsrs

Demos a baita sorte de sermos as únicas que contratam na data. Como o guia é responsável por realizar as refeições da galera – e a galera se resumiu ao guia, a Lidia e eu – com a grana poupada conseguimos em uma noite jantar em um dos lodges finíssimos em Sesriem.

Mas vamos ao que importa: custos e rotina. O passeio do deserto + safári custou no total NAD 7.900, R$ 2.214,84 por pessoa, com tudo incluso, menos as bebidas. Quando digo tudo, me refiro a: pick up e drop off desde Windhoek, todos os acessos e alimentações e, claro, o camping.

Sossusvlei

Antes de pegar a estrada principal, o guia nos levou à um supermercado para abastecermos com bebidas e quaisquer outras coisas que desejássemos levar, pois Sesriem fica afastada das zonas comerciais. Fiz aquele estoque malandro de chocolates porque né, nunca se sabe….

Desde a capital até Sesriem (onde está localizado os portões de entrada do Parque Namib-Naukluft) foram 400km via van.

No primeiro dia, percorremos a savana até chegarmos em Solitaire, um posto de abastecimento no meio do nada! Sabe cena de filme? Foi algo do tipo. Chegamos às dunas já para o pôr do sol.

Solitaire

A caminho do Namib-Naukluft

No segundo dia, saímos do camping com o céu ainda estrelado (e que céu estrelado a Namíbia tem!) em direção ao nascer do sol de Sossusvlei, dentro do Parque Nacional Namib-Naukluft.

Aqui eu quase enfartei de emoção! Foi o primeiro deserto que vi na vida e, acompanhar o sol nascendo no topo das areias fofinhas da Namíbia, foi como um sonho se tornando realidade. Parece exagero, mas a emoção foi demais!

O amanhecer do deserto da Namíbia

Caminhamos no deserto até chegarmos a Deadvlei, ou bacia de argila branca. O local é circundado pelas maiores dunas de areia do mundo, com algumas chegando a alcançar a altura de 400 metros.

Deserto de DeadVlei

O curioso do cenário são as fragmentadas árvores. A ocorrência de algumas mudanças climáticas fez com que dunas de areia invadissem a área junto ao rio, impedindo que este chegasse à região. Isto, portanto, ocasionou uma grande aridez e a morte de dezenas de árvores, por não mais haver água suficiente para sua sobrevivência.

Deserto de DeadVlei

Os esqueletos remanescentes das árvores, que se acredita terem por volta de 900 anos de idade, agora são negros pela intensa exposição ao sol. Estando aparentemente petrificada, a madeira destas árvores não se decompõe pelo simples fato de estar seca por completo.

Deserto de DeadVlei

Ao terminar a visita, se ainda restar energia em seu corpo (rsrs), tome o café da manhã no caminho até a famosa Duna 45. A subida, com 85 metros de altura, demora entre 20 e 30 minutos, a depender de sua disposição.

Duna 45

O último atrativo do dia – e que atrativo! – foi o Canyon de Sesriem. De fato estávamos mortas de cansaço e de calor, mas a experiência de ver mais um pôr do sol fantástico aqui foi incrível. O cânion fica também dentro do Parque Namib-Naukluft.

Sesriem Canyon

Já no terceiro e ultimo dia, nos despedidos de manhã do deserto, dirigindo ao redor das savanas da Namíbia em direção à Windhoek. Ao total, foram 350km all the way back home.

Um baita pôr do sol namibiano

Etosha National Park: Como foi a minha experiência no safári

It’s time!

Também no modal camping, no máximo low-cost possível, saímos da capital em direção a primeira parada do dia, em Otjiwarongo, já a 237km rumo ao norte do país.

Etosha National Park

Paramos para almoçar com a galera – éramos agora seis gringos e dois guias – no acesso ao primeiro lodge do Etosha Park. Esse é um parque nacional no noroeste da Namíbia, que hoje ocupa uma área de 22270 km2.

É o lar de centenas de espécies de mamíferos, aves e répteis, incluindo várias espécies ameaçadas de extinção.

Como pole dancer estende a roupa no lodge

Etosha Park

Nessa primeira parada tivemos a oportunidade de curtir uma piscininha que, no calor africano do mês de setembro, foi super bem-vinda! No meio da tarde, partimos para o primeiro “Game” – como é conhecido o percurso do safári – em busca dos animais silvestres.

Etosha National Park

Etosha National Park

Etosha National Park

Etosha National Park

No segundo dia, dedicamos todo o percurso ao safári, inclusive visitando os poços de água onde os animais se encontram ao entardecer. É algo mágico ficar sentada à beira da natureza, vislumbrando centenas de espécies andando livremente em seu habitat que – até o momento – eu só havia visto ou enjaulado ou em filmes.

Etosha National Park

Etosha National Park

Etosha National Park

Sou uma pessoa com fortes opiniões sobre o turismo animal. Tirando o passeio em meio à mar aberto para admirar as baleias – em Cape Town, África do Sul – o Etosha foi um dos únicos lugares que concordei em conhecer e experimentar o safári.

Veja bem, cada um guarda sua opinião sobre o assunto, mas nunca foi o meu “forte” turismos vinculados à zoológicos argentinos ou atividades voltadas à caça em florestas americanas, por exemplo.

Etosha National Park

Etosha National Park

Etosha National Park

Como de praxe, o terceiro e último dia foi de volta à Windhoek. Todavia, dessa vez paramos em dois bacanas pontos: o Lago Otjikoto, descoberto em 1851 pelas águas verde-esmeralda; e no vilarejo de Okahandja, conhecido pela venda de artigos em madeira.

Lago Otjikoto

Okahandja

A Namíbia foi uma feliz surpresa em minha vida. Foi o país em que pude absorver um pouco da cultura, da dança, das músicas e do estilo de viver africano.

Conheci muitos guias e trabalhadores locais que abriram um pouco da histórica de luta, tanto do país quanto do continente, ainda sob o olhar de um povo que busca reconhecimento e respeito diante do mundo.

Tribos de Tsumeb, Namíbia

O turismo na Namíbia ainda é forte entre os alemães – povo que o colonizou até 1907. O curioso é que enquanto a guerra colonial está praticamente esquecida na Alemanha, aqui ela faz parte da memória coletiva e ainda é um trauma nacional.

Tsumeb, Namíbia

Websites que podem ser úteis para seu booking:

Sesriem Canyon

Sossusvlei Lodge – Hospedagem no deserto;

Etosha National Park – Hospedagem e informações gerais do Parque Etosha;

Namibia Tourism – Informações gerais do país para viajantes;

• Lonely Planet Namibia – Guia de turismo pela Namíbia.

DeadVlei, Namíbia

Checklist

Seguro obrigatório para brasileiros: Apesar de não haver necessidade de comprovação de seguro-saúde para a entrada na Namíbia, recomenda-se a contratação de um seguro de viagem que contemple assistência médica e repatriação em caso de acidente.

Vacina obrigatória para brasileiros: É exigida a apresentação de Certificado Internacional de Vacina Contra Febre-Amarela.

Imigração: Fiz a imigração por modal rodoviário. O processo é um pouco lento, pois abrem todas as malas dos passageiros de ônibus para conferência, mas não tive qualquer problema.

Documentação para brasileiros: Recomenda-se que o passaporte brasileiro tenha validade mínima de 6 meses à data de entrada na Namíbia e conte com ao menos 3 páginas livres para carimbos e vistos.

Importância Global: As belezas naturais têm impulsionado o turismo na Namíbia, que possui vários parques com animais selvagens, além de belas paisagens geográficas. O deserto de Sossusvlei é um dos pontos mais fotografados de toda a África subsaariana. Já o Etosha National Park é considerado o principal destino do país para quem deseja ver animais selvagens vivendo em total liberdade.

 

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