Nepal: O Mágico Vilarejo de Kathmandu

O Nepal é um dos países mais mágicos que já visitei em toda a minha vida. Fez parte do meu primeiro mochilão totalmente sozinha (apesar de ter conhecido muita gente bacana no caminho e não ter ficado, necessariamente, sozinha). Eu tinha acabado de sair de um retiro de yoga na Índia e estava prestes a fazer o trekking do acampamento base do Everest.

Swayambhunath, Nepal

Se um dia você tiver a oportunidade de conhecer Kathmandu, a capital do país, por favor vá. Pode ser seu stopover para comparar roupas de escalada e montanhismo, se preparar para a altitude ou até mesmo a parada antes de seguir viagem em direção à China. De fato, é uma cidade transitória e que aos poucos se recupera dos desastres dos últimos anos.

Destroços pelas ruas de Kathmandu

Destroços pelas ruas de Kathmandu

Kathmandu é um abrigo de templos e palácios budistas e hindus, além de ser uma cidade completamente mística. E o melhor: um dos locais mais baratos da Ásia.

Pelas ruas de Kathmandu

Foi no Nepal que encontrei uma das populações mais simpáticas e sorridentes. É triste pensar o quanto esse povo sofreu ao longo da história e na pobreza ainda vivida por muitos. Durante a viagem eu estava em um processo muito delicado de transição em minha vida, de novos planos, e estar aqui foi um choque de realidade e ao mesmo tempo uma invasão de gratidão.

Comércio de rua

Você precisa saber agora:

Moeda: Rúpia nepalesa

Golpinhos/dia: US$ 17,00

Se perder, vai ter que voltar: Templo de Swayambhunath

Sobraram Golpinhos? Pegue um ônibus e visite Pokhara, a cidade entre as montanhas do Himalaia.

Os “americanizados” doces de rua

Quando ir:

Quase toda a Ásia segue o regime de monções, ou seja, de junho a setembro existem fortes chances de você visitar o Nepal coberto por chuvas torrenciais. Fuja disso! Fora dessa época, os meses que iniciam o ano são mais frios e, apenas a partir de abril, a temperatura começa a esquentar no país.

Como chegar:

Kathmandu é o point onde muitos trilheiros optam por começar a aclimatação das escaladas e outros muitos viajantes decidem conhecer os inúmeros templos religiosos.

Kathmandu, Nepal

Como mencionei lá encima, eu vinha da Índia e seguiria viagem ao Everest Base Camp do Tibet (para quem não sabe, existe também o acampamento do lado nepalês). Optei por fazer o trajeto Déli x Kathmandu voando, para otimizar o tempo, mas adianto que não foi a decisão mais barata ou sábia na época: paguei cerca de US$ 160,00 comprando na hora junto a Jet Airways (o preço normal é US$ 40/50).

O aeroporto internacional Tribhuvan, na capital, vai te fazer lembrar uma mini rodoviária. É simplesmente caótico. Mas, em defesa, foi aqui que vi – pela primeira vez depois de anos – a autoridade local solicitar a confirmação de bagagem junto à passagem, para que não ocorram confusões com bagagens de terceiros.

Foi nesse aeroporto que encontrei, depois de semanas viajando sozinha, o primeiro grupo de brasileiros da trip. Foi um momento muito diferente, pois como a cidade é minúscula, conseguimos nos reencontrar como por à caso já na manhã seguinte. Lembro de ter tido um almoço muito significativo com duas meninas – uma paulista e outra mineira que, na altura, estudava na Índia e estava prestes a se casar com um menino de lá – e compartilhar histórias.

Kathmandu, Nepal

O grupo era tão animado e de coração aberto que na noite seguinte à nossa chegada nos encontramos mais uma vez para experimentar a divertida night nepalesa.

Atenção: Não é possível beber bebidas alcoólicas na rua, apenas dentro dos bares e restaurantes.

Pelas ruas de Kathmandu

Para quem tem tempo e curte uma aventura, o modal rodoviário atende “bem”. Vale lembrar que a infra-estrutura da região não é boa, mas se você estiver em Varanasi (Índia), por exemplo, o ônibus vai ser uma boa opção pelo baixo custo.

Hospedagem:

• Kathmandu – Andes Hotel, R$ 37,00 o quarto por noite. É um hotel bem simples, porém o proprietário foi muito simpático e atencioso comigo. Quartos limpos e longe do barulho da cidade. O ponto negativo é que fica há uns 5 minutinhos da Thamel Street, na zona central. Mas nem por isso me arrependi de me hospedar aqui. Ótimo custo-benefício!

Pelas ruas de Kathmandu

O que visitar:

Passei cinco maravilhosos dias em Kathmandu e foi o suficiente para absorver o local. Toda vez que falo que o conheci, duas questão são levantadas: “nossa, você visitou um dos oito maiores picos do mundo?” ou “nossa, você reparou como a bandeira deles é diferente?”.

Kathmandu, Nepal

Gente, o Nepal é muito mais que isso (rsrs). Então vamos aos pontos turistados:

• Vale de Kathmandu (Patan + Bhaktapur + Boudhanath)

O vale é composto por alguns quilômetros de praças, repletas de templos e palácios bem no coração de Kathmandu. Infelizmente, o terremoto de 2015 deixou muitos destroços na região e entorno, porém continua a ser uma região de arquitetura riquíssima e imperdível para os admiradores das raízes do budismo e hinduísmo.

Durbar Square

Patan, Bhaktapur e Boudhanath são conhecidas como as cidades históricas e antigas capitais reais. Aqui você encontra passeios guiados – e pagos – pela cultura nepalesa, monumentos, bares, restaurantes, etc.

Vale de Kathmandu

• Thamel

Thamel é o bairro comercial nepalês mais badalado e que merece sua visita, mesmo se não há intenções de compra. É um fato que os preços aqui são muito, mas muito baratos e, também por isso, os viajantes optam por comprar aqui roupas de frio, de esporte, artigos para casa, etc. Eu mesma adquiri meus casacos para enfrentar o frio do EBC em Thamel.

O esquema é tipo chinês: preços e qualidades para todos os gostos.

Nos arredores de Thamel

Tente se hospedar nesse bairro ou perto dele.

 The Garden of Dreams

The Garden of Dreams

Bem pertinho do centro turístico você vai achar o Jardim dos Sonhos. Trata-se de um jardim histórico neoclássico que não estava no meu roteiro inicial. Foi me perdendo pelas ruelas nepalesas que achei a fachada de entrada e não me arrependo de ter pago Rs. 200 (algo em torno de R$ 6,00) para conhecê-lo por dentro.

The Garden of Dreams

É um local privado onde a galera visita com o intuito de apreciar a tarde com amigos e familiares. Ou seja, um bom refúgio do centro urbano cheio e caótico de Kathmandu. O Jardim fica aberto diariamente das 09h às 22h. Para mais informações, clique aqui.

The Garden of Dreams

Kumari – The Living Goddess – Temple

Kumari Temple

O Nepal é característico por suas histórias místicas e, não à toa, famoso pelas kumaris. Essas são as moças consideradas deusas vivas, donas de templos dedicados inteiramente à elas. Acredita-se que as meninas são parentes distantes de Buda e, por isso, são diariamente veneradas por hinduístas e budistas nepaleses (com exceção dos budistas tibetanos, que conto um pouco da história no post sobre o Tibet).

Kumari Temple

Lembra da história do Buda vivo que passava dias e noites apenas meditando embaixo da árvore, sem a necessidade de comer ou beber água? Pois bem, também é daqui do Nepal.

Apesar de não haver um valor estipulado de ingresso, faz-se sim necessária uma contribuição financeiro ao entrar.

 Swayambhunath – O Templo dos Macacos

É o must go de Kathmandu!

Swayambhunath

Eu fui de bicicleta para lá. Paguei cerca de cem rúpias, ou R$ 3,00, e fui visitando alguns pequenos santuários e estupas pelo caminho.

Swayambhunath

Trata-se de um complexo religioso – em sua maioria budista – instalado em um vasto vale. O acesso até o topo é feito via escadas com mais de 350 degraus (bem-vindos ao Nepal, rsrs). Aqui fica o local de peregrinação mais sagrado da região.

Budistas em Swayambhunath

Swayambhunath

Obviamente eu encontrei centenas de macaquinhos no caminho, conhecidos pelos nativos como Hanuman, o Deus-Macaco das causas impossíveis.

A caminho de Swayambhunath

Os pintados “olhos de Buda” estão nas quatro direções, em uma estrutura cúbica no alto.

Swayambhunath

Reza a lenda que “em cada um dos quatro lados do cimo da estupa principal há um par de grandes olhos, que representam a sabedoria e compaixão. Os olhos estão virados para as quatro direções para simbolizarem a omnisciência de um buda. Entre cada um dos pares de olhos, no sítio do nariz, há um símbolo semelhante a um ponto de interrogação que é o caráter que representa o número um em nepalês e sânscrito, que simboliza a unidade de todas as coisas e o caminho único para alcançar a iluminação — através dos ensinamentos de Buda. Acima de cada par de olhos há outro olho, o chamado terceiro olho.” (gracias, Wikipedia)

Swayambhunath

Templo de Pashupatinath

A caminho do Templo de Pashupatinath

Dediquei o dia inteiro para esse lugar e contratei um guia na entrada. Considerando a ida e volta de táxi mais o serviço guiado, gastei cerca de Rs. 1400 (R$ 44,00), o que é uma pequena fortuna para os padrões nepaleses. Muitas vezes ao viajar sozinha precisamos “entubar” certos custos, não é mesmo?

O Templo é dedicado a Lord Shiva, o Deus Hindu da destruição. Lembro que enquanto conversava com o povo na rua sobre o terremoto que devastou ruas e santuários, os fiéis hinduístas mencionaram a força e vontade de Shiva no acontecimento. Eles acreditam que só assim algo novo e transformador pode nascer, eliminando também a ignorância dos homens. O curioso é que o Templo foi um dos únicos complexos sobreviventes ao terremoto de 2015.

Assim como em Varanasi, são realizadas aqui cerimônias de cremação dos corpos, logo submersos nas águas sagradas. A primeira vez que vi o ritual, na Índia, fiquei encantada e ao mesmo tempo perplexa. Trata-se de uma cerimônia tão fora do comum que é impossível não prestar atenção a cada detalhe. Os Sadhus – homens santos – também vivem no Templo de Pashupatinath e dedicam suas vidas à evolução espiritual.

Para foto de Pashupatinath, clique aqui.

Kathmandu, Nepal

Checklist

Seguro obrigatório para brasileiros: Não

Vacina obrigatória para brasileiros: Oficialmente, não são solicitadas vacinas para entrar no país, a menos que o viajante esteja vindo de uma área onde há febre amarela. Entretanto, aconselha-se que o cidadão brasileiro solicite, nos postos da ANVISA nos aeroportos do Brasil, a carteira internacional de vacinação contra febre amarela.

Imigração: Não tive problema algum. Vale ressaltar que é necessária uma página para o carimbo de entrada.

Documentação para brasileiros: Passaporte com, no mínimo, 6 meses de validade e Visto. Para receber o visto na chegada, é necessário preencher um formulário e apresentar uma foto 5X7. O formulário está disponível no hall de chegada do aeroporto e nos postos de fronteira. Vistos de única entrada com duração de 15/30/90 dias custam US$25/40/100, respectivamente. No aeroporto de Katmandu, o pagamento é aceito em diversas moedas, porém, na fronteira, as autoridades exigem o pagamento em dólares norte-americanos.

Importância Global: O Vale de Kathmandu possui sete sítios classificados pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, além da Stupa Swayambhunath.

 

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