Patagônia: Argentina ou Chile?

A Patagônia representou uma das viagens mais belas que já vivi. Depois de dias difíceis cruzando o deserto do Atacama até o salar de Uyuni, sob condições que só potencializaram meu corpo adoecido a dias, eu me perguntei se continuar caindo sozinha na estrada era mesmo para mim.

Nascer do sol em Torres del Paine, Patagônia chilena

Circuito em Torres del Paine, Patagônia chilena

O que ninguém te conta, o que está fora dos sorrisos estampados nas redes sociais, é que há viagens que vão te tirar da zona de conforto tão bruscamente que você só vai pensar em desistir.

Torres del Paine, Patagônia chilena

Quando finalmente cheguei na Argentina, pude desabar. Eu estava exausta. Mas lembro também que nevava pela primeira vez e foi algo mágico. Em seguida, liguei para casa e, do outro lado da linha, escutei uma voz doce que me falou:

“Às vezes é necessário perder os agradáveis confortos para entender que a vida é sobre ciclos que começam todos os dias, em muitos lugares, com pessoas diferentes. A mulher que você está se tornando vai te custar pessoas, relacionamentos, espaços, coisas materiais, mas escolha ela ao invés disso tudo.”

As geleiras de El Calafate

No dia seguinte eu amanheci na Patagônia e foi o início de uma viagem mágica!

Canal de los Témpanos, Patagônia

Você precisa saber agora:

Moeda: Peso argentino (lado da Argentina) e peso chileno (lado do Chile).

Golpinhos/dia: média de R$ 300,00 por passeio full day e mais R$ 50,00 com alimentação e bebidas não alcoólicas. Custo com locomoção e hospedagem te conto mais abaixo.

OBS: Patagônia não é um dos destinos mais em conta, não, caro viajante!

Se perder, vai ter que voltar:  Visita ao Parque Nacional Torres del Paine.

Sobraram Golpinhos? Com mais tempo e mais grana, eu ficaria alguns dias em El Calafate e depois seguiria viagem ao Ushuaia. De lá saem vários tours em direção à Antártida (mas claro, com um custo um tanto alto $$$$).  Outra opção bacana e mais em conta é fazer o cruzeiro dos fiordes chilenos, desde Porto Montt, capital da Região dos Lagos. O site Viagem em Pauta conta um pouco sobre essa experiência de forma bem interessante.

Canal de los Témpanos, El Calafate

Como cheguei na Patagônia?

A caminho da Patagônia

Existem diversas formas de ingressar na Patagônia, tanto pelo lado chileno quanto pelo argentino. Eu escolhi o seguinte trajeto:

  1. Voo Calama x Santiago x Punta Arenas – R$ 466,35 via Lan Airlines. Lembrando que eu estava no deserto do Atacama e não há voos diretos até Punta Arenas;
  2. Ônibus Punta Arenas x Puerto Natales – Utilizei a empresa Bus-Sur, comprando o bilhete de ida diretamente no ônibus que parte desde o aeroporto de Punta Arenas. Já a volta emiti no guichê da empresa, na rodoviária de Puerto Natales. NÃO indico fazer isso durante a alta temporada, pois a cidade fica cheia. O valor foi de $ 8 mil pesos chilenos/trecho (para comparação, algo em torno de US$ 11). Há a possibilidade de compra online via site Recorrido.cl.

Muitos viajantes gostam de dedicar ao menos um dia em Punta Arenas, por ser conhecida como uma cidade maior e mais festeira que Puerto Natales. Como eu não tinha tempo suficiente, optei por seguir diretamente à porta de entrada da Patagônia chilena.

Puerto Natales

Puerto Natales

Pay Attention! Como tudo é bem próximo na cidadezinha, se você decidir pegar um táxi desde a rodoviária até seu hostel/hotel, o valor da corrida não costuma exceder $ 7 mil pesos chilenos.

É, caro leitor, eu paguei $ 10 mil pesos (chorany). Fui super enrolada… mas quem nunca, não é?!

Quando cheguei em Puerto Natales

Puerto Natales

Hospedagem

  • Patagônia chilena – We are Patagonia Backpacker, R$ 56,15 o quarto feminino compartilhado, sem incluir taxas. Esse foi o melhor hostel que fiquei em toda a minha vida! Tudo funcionava perfeitamente, os quartos extremamente limpos e cuidados, muitos banheiros e a equipe extremamente atenciosa. De quebra, ainda tem um restaurante anexo ao albergue com hambúrgueres deliciosos. Não poderia ter escolhido lugar melhor na região!

Vista dos fundos do Hostel

Dia 1 – Puerto Natales

Dediquei o primeiro dia da viagem para caminhar por Puerto Natales, capital da comuna do mesmo nome e da província de Última Esperanza, localizada na região de Magalhães e Antártida Chilena. Aproveitei também para fazer câmbio do peso chileno para o argentino, descansar e comer bem.

Pôr do sol em Puerto Natales

A Patagônia é a área com mais geleiras fora das zonas polares, e isso ocorre pelo seu clima em média de -10°C. É possível encontrar desertos frios e secos, florestas e bosques de pinheiro, vales e rios, montanhas e, principalmente, os glaciares.

Puerto Natales

Em meu primeiro dia, pude ver neve caindo logo ao entardecer, transformando o cenário pós pôr do sol na costa marítima da cidade, em árvores branquinhas (e um chão extremamente escorregadio, rsrs).

Love lockers em Puerto Natales

Ah! Desde Santiago havia reservado meus passeios com a empresa chilena Denomades e eles foram super prestativos e atenciosos, com um custo compatível ao mercado.

Dia 2 – Glaciar Perito Moreno

Perito Moreno ao fundo

Optei por conhecer a Patagônia argentina logo no meu segundo dia, pois o tour desde Puerto Natales começa às 06:30 e vai até às 22:30, quando a estrada coberta de neve ajuda na passagem.  A imigração é feita via policiais rodoviários, sem necessidade de qualquer cobrança para brasileiros.

Glaciar Perito Moreno

Glaciar Perito Moreno

Meu pacote custou $ 65 mil pesos argentinos, algo em torno de US$ 90, com inclusão de pick up e drop off desde meu hostel e guia bilíngue de El Calafate à geleira Perito Moreno. Meus gastos fora do pacote foram com alimentação, não excedendo R$ 30,00 pelo dia (levei lanche comprado em supermercado, obviamente, rsrs), e AR$ 500 para realizar a navegação do Safári Náutico nas geleiras do Perito (façam isso!).

Navegando próximo ao Perito Moreno

Perito Moreno ao fundo

A geleira é um glaciar argentino que está situado dentro do Parque Nacional Los Glaciares, entre os 47º e 51º de latitude sul, possuindo 5km de largura e 60 metros de altura. Seu nome é uma homenagem a Francisco Pascacio Moreno, criador da Sociedade Científica Argentina e um renomado pesquisador da região austral. O glaciar é considerado uma das reservas de água doce mais importantes do mundo.

Canal de los Témpanos ao fundo

Perito Moreno

Apesar de ser um longo dia na van, cruzando a fronteira entre Chile e Argentina, conhecer o Perito Moreno em um dia frio, porém de sol, foi algo recompensador demais. Se você tiver sorte – assim como eu tive – poderá escutar o impressionante desmoronamento de gelo, minutos depois de acessar o deck de visitação. Aqui percebemos o quanto somos pequenos perante a força da natureza.

Perito Moreno

♥ Veja meu melhor click desse dia aqui, quando conheci os amores abaixo:

Zé Junqueira e Renan Pereira

É close que fala, né?

À noite, saímos com chilenos para conhecer a night de Puerto Natales. Resultado? Encontro horrível no tinder, dança caribenha com vários adolescentes na boate local, muita cerveja para esquentar o corpo e, é claro, risadas memoráveis! Essa foi uma das comemorações de aniversário mais inusitadas que tive, repleta de gente legal e divertida pelo caminho.

Dia 3 – Torres del Paine

Amanheci com um dia incrivelmente ensolarado. Sabe aqueles dias frios em que parece que o sol brilha de forma mais majestosa? Pois bem… Finalmente havia chegado o dia de conhecer o Parque Nacional Torres del Paine.

Torres del Paine, Patagônia

Torres del Paine, Patagônia

Torres del Paine, Patagônia

Localizado na região de Magalhães, ao sul da Patagônia chilena, esse é um dos parques mais visitados pela galera que busca acampar no Chile, além de impressionante por seus cenários de tirar o fôlego! Foi declarado como Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1978 e é repleto por lagos, rios, cascatas e glaciares.

Torres del Paine, Patagônia

Torres del Paine, Patagônia

Em 2012 houve um incêndio que queimou cerca de 33 mil hectares do parque, destruindo centenas de árvores. Infelizmente, até hoje conseguimos ver tais resquícios na natureza.

Circuito de Torres del Paine

O tour de um dia inteiro, que também contava com pick up e drop off do  hostel, além do guia bilíngue, custou $ 40 mil pesos chilenos, ou algo em torno de US$ 57. O motorista nos levou aos principais pontos turísticos dentro do Parque.

Lago Pehoe, Torres del Paine

Circuito de Torres del Paine

Além do parque, ao final do dia, o motorista dirige para dois novos e bacanas pontos da cidade: o primeiro é o Monumento Natural Cueva del Milodón, uma caverna importante para estudos paleontológicos e arqueológicos, que “conta a história” do único mamífero, chamado Milodón, que viveu exclusivamente na região patagônia. Seu fóssil foi encontrado há mais de 100 anos.

Cueva del Milodón

Já o segundo é o Cerro Benitez, belíssimo ao final do dia.

Cerro Benitez

Vale ressaltar que nem a entrada do Parque Nacional Torres del Paine nem do Monumento Natural Cueva del Milodón estavam pagas pelo tour contratado.

Atrações do dia

E o custo de cada, respectivamente, é de:

  1. Temporada Alta (Outubro-Abril): Adulto estrangeiro $ 21 mil pesos chilenos, crianças estrangeiras $ 6 mil pesos chilenos. Temporada Baixa (Maio-Setembro): Adulto estrangeiro $ 11 mil pesos chilenos, crianças estrangeiras $ 1 mil pesos chilenos;
  2. Temporada Alta (Outubro-Abril): Adulto estrangeiro $ 5 mil pesos chilenos, crianças estrangeiras $ 2,5 mil pesos chilenos. Temporada Baixa (Maio-Setembro): Adulto estrangeiro $ 2 mil pesos chilenos, crianças estrangeiras $ 500 pesos chilenos.

Canal de los Témpanos, Patagônia

Checklist

Seguro obrigatório para brasileiros: Não, porém é recomendado.

Vacina obrigatória para brasileiros: Não há obrigatoriedade de comprovação vacinal ou profilaxia para entrada.

Documentação para brasileiros: Como o Chile é um país associado ao Mercado Comum do Sul, brasileiros podem apresentar apenas a cédula de identidade (RG) nas viagens realizadas dentro do bloco (que inclui também a Argentina). Não é preciso levar passaporte nem pedir visto de entrada.

Importância Global: O glaciar Perito Moreno é uma das geleiras mais imponentes e já foi chamada de a “oitava maravilha do mundo”, devido à vista que se tem de seu topo. O Parque Nacional Los Glaciares possui hoje 724.000 hectares e um total de 356 geleiras. Já Torres del Paine foi declarado como Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1978.

 

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