Tibet: Minha Experiência no Everest Base Camp

O Tibete é a região mais alta do mundo, com uma altitude média de 4.900 metros e, por vezes, recebe a designação de “o topo do mundo”.

Interessante, né? Mas não para por aí…. O Tibet faz fronteira com Myanmar, Índia e Nepal, junto à cordilheira do Himalaia, e todos esses países são maravilhosos para quem curte longos e baratíssimos mochilões.

Everest ali ao fundo

Também na fronteira temos o Butão, mas quando o assunto é custo, foge um pouco da realidade asiática (rs). Infelizmente não tive nem grana nem tempo para incluir esse país, mas adianto que só ouvi maravilhas de quem já foi.

Lago Yamdrok, Tibet

Turistar pelo Tibet requer preparo e money. Isso porque só se pode viajar por aqui comprando os serviços de uma agência de viagens, seja o tour privado ou em grupo. As empresas são regularizadas pelo Estado Chinês e – na época que procurei, final de 2016 – os preços entre elas eram bem similares.

Lhasa, Tibet, e a bandeira da China ao fundo

O Tibet existiu como uma região composta por diversas áreas soberanas, sob uma única administração (a chinesa). Por diversas vezes um governo nominalmente encabeçado pelos Dalai Lamas dominou sobre uma grande parte a região tibetana.

De fato, a ocupação atual da China se mantém mais ou menos inalterada desde o século 13, quando o Tibete foi incorporado ao império chinês. Essa situação só foi interrompida em 1912, quando a revolução republicana pôs fim ao império.

Mosteiro de Sera

Na ocasião, os tibetanos aproveitaram a confusão para expulsar os chineses e declararam a independência. Mas a situação piorou em 1959: após vários conflitos, uma rebelião em Lhasa, capital do Tibet, foi reprimida com violência pelo governo comunista chinês, que já havia retomado o território tibetano em 1949.

Criança tibetana

Criança tibetana

Você precisa saber agora:

Moeda: Renminbi chinês (CNY)

Golpinhos: Gastei US$ 850 considerando 8 dias fechados com agência de turismo (englobando despesas com locomoção, hospedagem, entradas nos locais turísticos e algumas refeições), em baixa temporada (época do inverno, em janeiro). E mais US$ 250 com gastos de supermercado, lembranças, gorjetas e permissão de entrada.

Se perder, vai ter que voltar: O nascer do sol no Everest Base Camp (vale cada esforço do frio e altitude).

Sobraram Golpinhos? Aqui é delicado de falar, pois achei o tour de 8 dias muito completo e satisfatório. Então, te indicaria continuar conhecendo os países da rota do Himalaia.

Em direção à Shigatse

Como cheguei:

Voei de Kathmandu (Nepal) para Lhasa (Tibet) via Sichuan Airlines. Comprei pela agência FlightNetwork, pois do Brasil não consegui emitir a passagem diretamente com a linha aérea chinesa.

Paguei R$ 2.338,44 ida e volta, com o percurso de 1h25, sendo o voo mais caro da minha vida. Mas também o mais lindo: é inexplicável sobrevoar os picos mais altos do mundo e aterrissar em um oásis dentro de montanhas.

Infelizmente (ou felizmente, se pensarmos no quesito segurança) não consegui bater fotos, mas fiz um vídeo antes de tomar uma bronca da comissária de voo. Veja aqui.

Nas estradas tibetanas

Importante: É obrigatório solicitar uma permissão especial de entrada para o Tibet, independente do seu visto chinês (caso o tenha). A minha permissão foi emitida em Kathmandu, ao custo de US$ 100,00, pois precisei do retorno do documento em dois dias úteis. Se você não tiver urgência, pode solicitá-lo ao custo de US$ 85,00, mas confira antes com sua agência os dias de semana exatos em que a operação poderá ser realizada.

A permissão não é carimbada ao passaporte e deverá ser entregue no aeroporto, no momento do voo de retorno. Como eu nunca tirei o visto chinês, não há nada em meu passaporte que comprove que estive em terras chinesas.

Eu utilizei a empresa turística Tibet Travel e a recomendo bastante. Bom atendimento, guias que conhecem a história do Tibet e – fundamental – do budismo tibetano e preço compatível ao mercado.

Lago Yamdrok

Agora vamos ao roteiro diário…

Dia 1 – Chegada

Antes de sair do aeroporto, fiscais tibetanos vão analisar sua bagagem minuciosamente. Acontece que, para entrar na região, alguns itens são estritamente proibidos, entre eles artigos vinculados à Índia, ao hinduísmo e etc. Dica: Converse com sua agência e reze para eles te informarem melhor sobre esse assunto.

Eu, por exemplo, passei um sufoco na hora de deixar o Tibet, pois levava comigo um Kama Sutra comprado ainda na Índia. Tentei explicar de todas as formas, mas não rolou… Enfim, não vamos chorar pelo leite derramado.

Já sai do pequenino lobby do aeroporto junto ao guia e motorista que acompanharia o grupo de 12 pessoas até o Everest Base Camp. Recebi o famoso lenço branco tibetano como forma de Welcome!

Lhasa, Tibet

O primeiro dia é voltado para o início da aclimatação, afim de prevenir o mal de altitude. Ao contrário do Peru, aqui as folhas de coca são proibidíssimas e – para ser sincera – não sei nem se há algo similar vendido nas redondezas. O segredo no Tibet é fazer tudo devagar e beber sempre bastante água!

Muitos brasileiros levam Gingko biloba e dizem que dá super certo. Já outros viajantes compram o tubo de oxigênio. Eu fui mesmo na cara e coragem e me senti bem em 90% da viagem, apenas controlando meu corpo com líquidos e bastante calma.

Pelas estradas tibetanas

Cheguei no hotel por volta das 17h e já estava a 3.656 metros. Até o final da viagem chegaríamos aos 5.250 metros, então a solução é não entrar em pânico (rsrs).

Aproveitei a noite para ver a maior atração de Lhasa toda iluminada, o Potala Palace. Aqui foi a principal residência do Dalai Lama, até à fuga do 14º Dalai Lama para Dharamsala, Índia.

Andar por Lhasa é extremamente seguro e fácil. Fiz compras no mercado local e me abasteci para os próximos dias de viagem.

Visitando mosteiros no Tibet

Ao retornar ao hotel e finalmente tentar descansar foi que percebi meu coração a acelerar com a altitude. Como dividi o quarto com um sueco, revezávamos as noites em que cada um acordava de madrugada sentindo uma leve falta de ar (rsrs). Parece desesperador, mas é apenas o processo da aclimatação.

Dia 2 – Turismo em Lhasa

Esse dia foi muito legal. Visitamos três mosteiros milenares cheios de histórias sobre o budismo tibetano. E eu parecia uma criança feliz!

Por dentro do Potala Palace

Iniciamos o dia com um tour pelo Potala Palace e às suas coleções mais valiosas, as estupas douradas dos antigos Dalai Lamas. Vale ressaltar que são muitos (muitos!) degraus até o topo, o que vale uma subida com bastante calma, já que estamos à uma altitude considerável.

Potala Palace

Potala Palace

Em seguida fomos em direção ao Jokhang Temple, também situado no centro de Lhasa. Os peregrinos vêm aqui para fazer sua reza diária, tanto dentro quanto fora do Templo. Ao redor da Rua Barkhor, muitos praticam a kora, uma manifestação religiosa do budismo tibetano.

Peregrinos em frente ao Templo Jokhang

Peregrinos em frente ao Templo Jokhang

Por dentro do Templo está a estátua de Buda Sakyamuni (também conhecido como Sidarta Gautama), aos doze anos.

Dia 3 – Em direção à Shigatse via Gyantse

Glaciar Korola

Saímos logo após o café da manhã, com o intuito de percorremos 360km na van com a galera, até Shigatse, uma região autônoma do Tibet e sua segunda maior cidade, com cerca de 80 mil habitantes.

No caminho paramos no Lago Yamdrok, a 4.400 metros. E eu já não sabia se meu coração estava acelerado pela altitude ou pela beleza do lugar!  O lago é cercado por montanhas.

Lago Yamdrok

Mais tarde, paramos no Glaciar Korola e em seguida no Lago Manak Dam, onde os viajantes penduram as bandeirinhas coloridas de oração, típicas do Tibet.

Glaciar Korola

O congelado Lago Manak Dam

Já caminhando para o final do dia, chegamos na antiga terceira maior cidade, conhecida como Gyantse. Ela abriga o Mosteiro de Pelkor, com sua grande estupa octogonal chamada Kumbum, construída em 1427.

Mosteiro de Pelkor

Mosteiro de Pelkor

Depois de 360km percorridos, estávamos em Shigatse, nossa última parada do dia.

Lhatse, Tibet

Dia 4 – Everest Base Camp

O tão esperado dia havia chegado: YEAHHH! Saímos de 3.900 metros para 5.200 metros em 24h.

Everest Base Camp

Começamos o dia visitando o Mosteiro Tashilunpo. Considerado um dos Seis Grandes Monastérios, o local foi fundado em 1447 e ampliado pelos sucessivos Panchen Lamas, como são conhecidos os sucessores do Dalai Lama na hierarquia budista.

Por dentro dos mosteiros tibetanos

Até o Everest Base Camp, cruzamos duas fronteiras: Tsola (4.600 metros) e Gyatsola (5.248 metros).

A caminho do Everest Base Camp

A caminho do Everest Base Camp

Lembro claramente quando a van estacionou no ponto mais próximo da trilha em direção ao Pico do EBC. Precisávamos percorrer poucos quilômetros até o topo e estava extremamente frio, com excesso de vento.

Metade queria desistir na hora. Já a outra metade começava o caminho sem olhar para trás. Confesso que por pouco eu não consegui, tanto pelo cansaço da altitude, quanto pelo vento forte batendo no rosto. Chegamos a quase -20 graus célsius.

Mas como brasileiro é um povo que não desiste nunca, fui aos poucos, acompanhada de um casal quarentão de americanos (que hoje são grandes amigos) até a base.

Consegui ficar apenas por minutinhos, já avistando o pôr do sol do Everest. A cena mais linda de toda a viagem! Na descida, vi muita gente passando mal e sendo acolhida com tubos de oxigênio.

EBC

Nosso grupo passou a noite hospedado em um mosteiro local (acreditem) sem qualquer equipamento de aquecimento. Nunca utilizei tanto daqueles saquinhos de aquecimento chinês. E sim, foi a noite mais tensa da minha vida. Aqui eu senti na pele o famoso mal da montanha.

Ah, o EBC

Dia 5 – De volta à Shigatse

Levantamos (como se eu tivesse conseguido dormir né) ainda sob o céu estrelado e nos deparamos com o que os guias tanto temiam: os motores haviam congelados e a van não ligava de jeito nenhum.

Desespero. Desespero. E muita reza!

Apenas após o amanhecer o maravilhoso barulho do motor começou a surgir: iríamos, enfim, de volta à Shigatse! Mas não sem antes vislumbrar o nascer do sol do Everest, obviamente (rsrs).

De volta para Shigatse

No caminho passamos pelo Mosteiro de Rongbuk, o único do Tibet onde freiras e monges vivem juntos. Porém, estava fechado para visitação.

Dia 6 – De volta à Lhasa

No caminho em direção à capital, passamos pelo Vale Yalong, que é simplesmente belíssimo. Um dos viajantes tirou uma foto minha no local, mas até hoje não recebi (rsrs).

Dia 7 – Os últimos Monastérios

Mosteiro de Drepung

No penúltimo dia, visitamos mais dois mosteiros: o Drepung Monastery e o Sera Monastery. O primeiro, fundado em 1416, e o segundo, em 1419, ambos considerados dois dos três principais mosteiros universitários, abrigando centenas de monges.

Mosteiro de Drepung

Monges no jogo de perguntas e respostas, Mosteiro de Sera

Dia 8 – De volta à Kathmandu

No último dia a agência me levou de volta ao aeroporto internacional de Lhasa onde, até 2017, só saíam voos para a China ou Nepal.

Estradas do Tibet

Ter visitado o Tibet foi, sem dúvidas, uma de minhas maiores aventuras pelo mundo. Conheci e respeitei os limites do meu corpo, absorvi uma cultura milenar e fui grata por toda a experiência que tive e por todos que cruzaram o meu caminho.

Menina tibetana

Não é fácil passar dias sem banho, fazer xixi na beira da estrada com temperaturas negativas, nem mesmo viver por alguns dias sob uma altitude de mais de 5.000 metros. Porém, cada sufoco valeu à pena.

Lago Yamdrok

Checklist

Seguro obrigatório para estrangeiros: Não, mas é essencial!

Vacina obrigatória para estrangeiros: É obrigatória a apresentação do cartão de vacinação internacional contra a febre amarela

Documentação para estrangeiros: Passaporte e Permissão de Entrada, conforme expliquei lá encima.

Importância Global: Em 1994, o Potala Palace foi inscrito pela UNESCO no Patrimônio Mundial da Humanidade. E, em 2000, foi a vez do Templo Jokhang. O Tibet é uma das regiões mais lindas do globo, repleto de famosas montanhas, trilhas, escaladas, mosteiros e história.

 

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